quinta-feira, dezembro 16, 2010

Aquela mesma história

Ela dança na corda bamba e leva no peito aquele velho sentimento com ar de incerteza,  observando o inesperado acontecer.

terça-feira, outubro 26, 2010

sexta-feira, agosto 13, 2010

Estrada

Linhas de uma carta que releio sempre que abro o livro da vida, e é com uma letra de Oswaldo Montenegro e a poesia de Fernando Pessoa que compartilho esses momentos; a saudade que sinto a cada dia e a sensação de incompletude que sente meu coração. Hoje olho pro futuro através do retrovisor, sabendo que ficaram coisas importantes que eu amo. Sinto vontade de pisar fundo e voltar pra continuar o que comecei... Mas ainda fica a incerteza de que tudo parece estar impregnado do contrário ...Sigo firme!!! Esperando o aval, e a certeza de que poderemos proseguir.



(Artur Maia Tavares)

sábado, julho 24, 2010

Marte está alinhado com Plutão, que não é mais planeta!
Pensamentos fora do lugar...

sexta-feira, junho 18, 2010

Aquele Sujeito Esquisito

Será que poderia te pedir um favor? Vai embora. Mas vai mesmo. Não fica me lembrando que você existe. Desde o dia em que eu me mudei pra essa casa que você me atormenta. Às vezes, chego a acreditar que você é um fantasma. Que carma! V-A-I-I-I. Vai pra suas fantasias. Vai paquerar as mocinhas, aquelas que ficam na esquina rodando bolsinha. Tá pensando que vou ficar triste com sua ausência? A-há. Não vou mesmo. Até porque, você nunca esteve presente nem pra um café, quiçá pra uma conversa. Aliás, quem é você? Eu nem mesmo sei quem você é. Sim, criei um personagem. Um personagem raso, incompleto. Parecido com aqueles de contos decadentes em que o personagem é uma fraude. Ah, claro, você tem nome, idade, altura, bairro, tem até mesmo uma ideologia. Mas é um personagem raso. Não sei quais são seus conflitos, seus reais sentimentos, suas preferências, não sei se prefere vinho tinto ou vinho branco- você ao menos gosta de vinho?- se não gostar... Mais um motivo pra ir embora.
Você não me deu a permissão de te conhecer. Se existe alguém culpado pela decadência desse personagem é você. Tenho que aproveitar que veio tomar banho pra te pedir: NÃO VOLTA MAIS. Tá fazendo o que parado ai na minha frente? E sem cueca?! Com essa expressão eu-só-quero-que-você-seja-feliz. SA-A-A-A-A-A-A-I!!! Olha só, já tem gente batendo na porta. Não terminei de dizer o que queria, fica ai.

-Oi.
-Oi, sou do 701. Tá tudo bem?
- E porque não estaria? Estranho, pensei que eu fosse a única moradora dessa região...
- Desculpa. Eu ouvi um grito.
- Você nunca grita?
- Nunca quando estou sozinho.
-Isso porque você não tem capacidade de abstração. Amor também é um grito abstrato e solitário... Vai embora você também.

João? Tá aí? João?

Foi embora e nem deixou um cartão postal sequer.
Filho da puta.

domingo, maio 16, 2010

Da arte de sorrir

Parece até espelho

sorriso vermelho

brilha, brilha

mas é papel

é de papel
e paetê

sorriso inventado



 

domingo, abril 04, 2010







As cores
da
Vida

terça-feira, março 16, 2010

O dia em que o sol sorriu

Dez horas e trinta e sete minutos. Ele acorda. Aquele parecia ser mais um dia qualquer numa semana igualmente qualquer. Ainda sonolento e sentado em sua cama, o rapaz de cabelos cor de mel se pergunta – Eu sonhei hoje? – Entretanto, não consegue obter resposta alguma. Seus olhos volvem para a janela fechada e sem cortina, o que lhe permite examinar detidamente através dos vidros que o dia está com um brilho diferente. Vagarosamente, o rapaz de cueca samba-canção levanta-se e caminha em direção ao quintal. Observa o céu azul, sem nenhuma nuvem, iluminado por um sol tão carismático. O sol, o céu lhe provocavam uma estranha tristeza. – Por que não acordei mais cedo?
Trim-trim-trim.
Correu para atender ao telefone e, dessa vez era o tal telefonema que estava esperando há meses. Uma oportunidade! Nada poderia dar errado. Seria um fiasco fracassar pela nona vez. Confirma o encontro – Sim, perfeito, às dezesseis horas em frente ao teatro - Ele queria planejar tudo, mas não era fácil prever a reação de Ana. Deve ter algum motivo especial para esse sol carismático, ele pensou. Um convite à alegria!
O latido incessante das cachorras da casa ao lado, o funk no último volume tocando no bar da frente, os fiscais da vida alheia, nada, nada disso atrapalharia o estado de felicidade daquele jovem estudante de filosofia.
Quinze horas e cinqüenta e cinco minutos. Preso no engarrafamento. O surgimento das especulações foi imediato – Deve ter sido acidente com moto; é a obra que o governo está fazendo; blá-blá-blá...Ele abre a janela e depara-se novamente com aquele sol sorridente, um sol filosófico. As vozes dos passageiros transformaram-se em apenas vultos para os ouvidos do rapaz. Boceja, relaxa.
Algo muda quando Ana está presente. Uma timidez profunda o invade. Não conseguia manter um comportamento natural – ela é sublime, uma princesa, ele pensa – Tampouco sabia se ela percebia tal mudança. Lá estava ela. Linda. Vestido vermelho. Sapato preto. A intelectualidade de ambos quase sempre atrapalhava. Literatura, filosofia, política, economia marcavam presença em todas as conversas. Ana, no fundo, sabia que aquelas conversas eram um pretexto...Divertia-se com a falta de jeito do rapaz. Ele aproxima-se de Ana, não diz nada. Segura a mão esquerda da moça. Ela igualmente calada. Tímida. Mãos molhadas de suor. Ana prepara-se desajeitada para romper o silêncio – estava lendo Foucault – Xiiiiiii – o rapaz pede carinhosamente que ela não diga nada. Não precisava. Eles se aproximam lentamente e Biiiiiiiiiiiiii-biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Buzina de ônibus não tem um som muito agradável. Ele acorda assustado. Ainda no engarrafamento, sentado dentro daquela merda de ônibus e mais blá-blá-blá.- batida de carro, só podia ser mulher; tão nova e tão bonita; Imagina a mãe quando souber-. Comentários imbecis. Impaciente, olha o relógio. Dezesseis horas e trinta e três minutos. O celular da Ana estava desligado.Um vendedor de balas entra no ônibus – um por cinqüenta centavos e 3 por "dois real" – não entendeu a promoção ou estava impaciente demais para fazer contas.- o que houve ali na rua? O motorista exercendo sua função de fiscal, perguntou ao vendedor. Foi uma batida, uma jovem morreu,disseram que trata-se da Ana, o vendedor respondeu.
No dia seguinte, o jovem estudante de filosofia chegou à capela Nossa Senhora das Moças, segurou as mãos de Ana. Não disse nada, simplesmente a beijou pela primeira e última vez.

terça-feira, março 09, 2010

Frase do dia

"Engana-se quem pensa que a amizade não precisa ser cuidada"
(By Roberta Vasconcelos)

sábado, fevereiro 27, 2010

Você Não Me Conhece

Não sou sorriso de canto

Nem sou feita de açúcar

Nem de pano


Não sou mulher batom vermelho

Nem sou feita só de pedra

Nem só de água e terra

Fosse eu poetisa

Nas lágrimas diluiria as falhas

Fosse eu contista

Eu teceria uma bailarina

Que joga o salto pro alto

Que prova as notas da canção

Sabor leite condensado

Que esnoba o cansaço


Que briga por espaço


Não sendo eu poetisa, muito menos contista

Apenas digo que cansei do sentimento papel

domingo, janeiro 10, 2010

Porque é assim

Ana:Um azul no céu
João: Vários verdes nas folhas
Ana: Um céu absurdamente azul
João: Um azul absurdamente azul
Ana: Os verdes A-B-S-U-R-D-A-M-E-N-T-E lindos
João: Os verdes tão verdes
Ana: Que com os raios de sol ficam a cintilar a alegria
João: E o desejo...
Ana: E os desejos...
João: E os meus olhos retribuem, é claro.
Ana: Brilhando como brilham os olhos de uma criança.
João: Ao ver um sorvete?!
Ana: Não. Como brilham naturalmente mesmo. Ao ver o sol, ao ver o céu.
João: Ah, sei. Assim como os meus brilham ao te ver.
Ana: é.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Esperando por Godot II


Contando os grãos de areia
E comendo uma pêra
que,
Facilmente trocaria por uma nêspera.

Contando os grãos de areia
E comendo pêra
Desvio a atenção de que
Hoje é véspera

Assim, desvio o pensamento e omito que
Amanhã é véspera

Divirto-me por ter esperança
E lembro-me de esquecer que
Depois de amanhã também é véspera

Um dia de sol,
Outro de chuva

E eu n'êspera.

terça-feira, dezembro 01, 2009

O cacto Clarice



" Só se vê bem com o coração.

O essencial é invisível para os olhos."

(Antoine de Saint-Exupéry)

A partir daquele dia, decidiu não mais regar a planta que ganhou de presente da sobrinha. Estava revoltado com o fato da planta não ser um cacto.
-Eu fui bem claro, disse que queria um cacto - Repetia sozinho indignado na varanda cor de anis.
No dia em que ganhou Clarice, a plantinha, ele ficou feliz. Foi após a visita do João-pé-de-cana que o dono da plantinha passou a ignorá-la.
- Essa é a Clarice, minha flor de cacto favorita – Disse com um sorriso bem forte no rosto, apresentando a Clarice para João-pé-de-cana .
- Mas isso não é um cacto, essa planta mais me parece com aquela espécie comigo-ninguém-pode - João-pé-de-cana comentou com toda a sua ilucidez.
O dono da plantinha, que ficou cego após um acidente no trabalho, acreditou no julgamento do João-pé-de-cana. Ele tem olhos bons e pode ver que essa planta não é um cacto- pensou. Após nove dias, o cacto Clarice morreu.
-Tio, cadê a Clarice?- a sobrinha de oito anos perguntou durante uma visita.
-A Clarice não era o que eu pensava. Ela era um comigo-ninguém-pode e não um lindo cacto- respondeu o ex-dono da plantinha com o semblante fechado.
-Comigo-ninguém-pode? Pelos meus conhecimentos, comigo-ninguém-pode não tem espinhos, já a Clarice os têm!-Argumentou a pequena sobrinha- Onde está ela? Se a sentir com as mãos, se fizer um carinho, sentirá os seus espinhos finos coloridos.
-Clarice morreu- O ex-dono da Clarice respondeu com um semblante murcho.

terça-feira, julho 07, 2009

Se o Amor come, a Esperança também come.

A esperança comeu o meu tempo,
Minhas idéias,
Meus poemas

Comeu lembranças,
Momentos,
Viagens


Ainda comeu o meu grafite,
Minha caneta,
Meu papel


E, por fim,
Comeu também
As minhas palavras,

quarta-feira, abril 15, 2009

Sintaxe

Eu sou como eu sou: sujeito!
Ora simples,
Ora complexo.
Sujeito apenas, 

Porque não?

Não quero o comodismo de sentir as mesmas sensações.
Não desejo ser tão comum a mim mesmo
A ponto de saber descrever-me por inteiro.
Sou o sujeito da sintaxe 

Da minha vida.

Sintaxe,
Sinta-se sujeito da sintaxe.
Sinta a vida
Sinta-se em casa.

domingo, março 08, 2009

Da liberdade de viver

Já observou que a vida é como se fosse um balão?
Boooom!
E acabou.
Ela disse, em meio a um velório.

domingo, junho 08, 2008

O dia em que o sol sorriu

Dez horas e trinta e sete minutos. Ele acorda. Aquele parecia ser mais um dia qualquer numa semana igualmente qualquer. Ainda sonolento e sentado em sua cama, o rapaz de cabelos cor de mel se pergunta – Eu sonhei hoje? – Entretanto, não consegue obter resposta alguma. Seus olhos volvem para a janela fechada e sem cortina, o que lhe permite examinar detidamente através dos vidros que o dia está com um brilho diferente. Vagarosamente, o rapaz de cueca samba-canção levanta-se e caminha em direção ao quintal. Observa o céu azul, sem nenhuma nuvem, iluminado por um sol carismático. O sol, o céu lhe provocavam uma estranha tristeza. – Por que não acordei mais cedo?
Trim-trim-trim.
Correu para atender o telefone e, dessa vez, era o tal telefonema que estava esperando há semanas. Uma oportunidade! Nada poderia dar errado. Seria um fiasco fracassar pela nona vez. Confirma o encontro – Sim, perfeito, às dezesseis horas em frente ao teatro - Ele queria planejar tudo, mas não era fácil prever a reação de Ana.
O latido incessante das cachorras da casa ao lado, o funk no último volume tocando no bar da frente, os fiscais da vida alheia: nada, nada disso atrapalharia o estado de felicidade daquele jovem estudante de filosofia.
Quinze horas e cinqüenta e cinco minutos. Preso no engarrafamento. O surgimento das especulações foi imediato – Deve ter sido acidente com moto; é a obra que o governo está fazendo; blá-blá-blá...Ele detestava ouvir esses tipos de comentários. É incrível como o ambiente de ônibus aguça alguns assuntos descartáveis, imbecis, ele pensava. Todos os passageiros falando ao mesmo tempo – Vou chegar atrasado ao trabalho; gostou do final da novela?; meu filho está me esperando na escola; o engarrafamento é culpa do sistema político em que vivemos; blá-blá-blá.
Aqueles comentários conseguiram irritar o rapaz. Ele abre a janela e depara-se novamente com aquele sol sorridente, um sol filosófico. As vozes dos passageiros transformaram-se em apenas vultos para os ouvidos do rapaz. Boceja, relaxa.
Algo muda quando Ana está presente. Uma timidez profunda o invade. Não conseguia manter um comportamento natural – ela é sublime,ele pensa – Tampouco sabia se ela percebia tal mudança. Lá estava ela. Linda. Vestido vermelho. Sapato preto. A intelectualidade de ambos quase sempre atrapalhava. Literatura, filosofia, política, economia marcavam presença em todas as conversas. Ana, no fundo, sabia que aquelas conversas eram um pretexto...Divertia-se com a falta de jeito do rapaz. Ele aproxima-se de Ana, não diz nada. Segura a mão esquerda da moça. Ela igualmente calada. Tímida. Mãos molhadas de suor. Ana prepara-se, desajeitada, para romper o silêncio – estava lendo Foucault – Xiiiiiii – o rapaz pede carinhosamente que ela não diga nada. Não precisava. Eles se aproximam lentamente e Biiiiiiiiiiiiii-biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Buzina de ônibus não tem um som muito agradável. Ele acorda assustado. Ainda no engarrafamento, sentado dentro daquela merda de ônibus e mais blá-blá-blá.- batida de carro, só podia ser mulher; tão nova e tão bonita; Imagina a mãe quando souber-. Comentários imbecis. Impaciente, olha o relógio. Dezesseis horas e trinta e três minutos. O celular da Ana estava desligado.Um vendedor de balas entra no ônibus – um por cinqüenta centavos e 3 por "dois real" – não entendeu a promoção ou estava impaciente demais para fazer contas.- o que houve ali na rua?- O motorista perguntou ao vendedor. -Foi uma batida, uma jovem morreu.-o vendedor respondeu.
No dia seguinte, o jovem estudante de filosofia chegou à capela Nossa Senhora das Moças, segurou as mãos de Ana. Não disse nada, simplesmente a beijou pela primeira e última vez.

quinta-feira, maio 01, 2008

Aceita um café?


Cantando silenciosamente uma canção
Abro a porta de casa,
Sento no sofá
Tomo o meu café meio amargo, 

como de costume.
da memória um sorriso surge.
Por hoje, as lembranças são ótimas companhias.

sexta-feira, abril 18, 2008

Dica de leitura:


Livro: Walden, Henry David Thoreau.

"As nações são possuídas pela louca ambição de perpetuarem a sua memória com a soma das esculturas que deixam. Que tal se esforços semelhantes fossem despendidos no sentido de aperfeiçoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais memorável que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu local de origem."


domingo, março 30, 2008